LVMH perde ganhos da pandemia com enfraquecimento do mercado de luxo
O boom de consumo do luxo que a pandemia acendeu perdeu força, e a LVMH, dona de Louis Vuitton e Dior, sente o baque mais que qualquer rival do setor. A companhia francesa via suas divisões de moda e couro dispararem enquanto o consumidor ficava em casa acumulando dinheiro, e agora enfrenta o efeito reverso. O mercado de luxo global desacelerou depois de anos de crescimento turbinado, com o consumidor chinês (motor histórico do setor) comprando menos e o americano mais seletivo. Sem o gatilho da pandemia (viagem represada, bônus de poupança, revanche de consumo), a demanda por peças de alto ticket perdeu o ritmo que sustentou os resultados recordes dos últimos anos. A LVMH não é a única sentindo o solavanco, mas é a maior, o que faz o tombo pesar mais no humor do mercado inteiro. O grupo francês funciona como termômetro do setor: quando ele desacelera, analistas e concorrentes leem o sinal como aviso de que o ciclo de expansão do luxo pós-pandemia está de fato encerrado. Pra quem acompanha o setor, o dado reforça que o luxo entrou em fase de ajuste, com marcas reavaliando ritmo de lançamento, preço e dependência de poucos mercados. A pergunta que fica é até onde a desaceleração vai e quais marcas conseguem se sustentar só com fidelidade de marca, sem o vento a favor que a pandemia deu de graça.
Se a maior do setor desacelera, o ajuste de preço e lançamento tende a chegar nas outras marcas também.
Fonte: Folha de S.Paulo
|